Denúncia: Alunos estão há cerca de três meses sem aulas em escola estadual de Mossoró

Pais e responsáveis por estudantes da Escola Estadual Diran Ramos do Amaral, localizada no bairro Redenção, em Mossoró, utilizaram as redes sociais para cobrar respostas sobre a suspensão das aulas na unidade. Segundo relato divulgado por familiares, os alunos estão há cerca de três meses sem atividades escolares presenciais e ainda não receberam uma previsão clara para o retorno.

De acordo com a manifestação, as famílias foram informadas no início do ano de que a escola passaria por uma reforma. Após o início da paralisação, porém, os responsáveis teriam recebido a informação de que ainda estavam sendo realizados ajustes na estrutura, incluindo a instalação de aparelhos de ar-condicionado. A principal cobrança agora é por um cronograma oficial que indique quando as obras serão concluídas e quando os estudantes poderão voltar às salas de aula.

A situação ganhou repercussão justamente em um momento em que outras escolas da rede estadual em Mossoró também enfrentaram problemas estruturais ao longo de 2026.

A própria Escola Diran Ramos do Amaral foi incluída, em agosto, no pacote de oito unidades estaduais que receberiam obras de reforma e modernização. A ordem de serviço anunciada pelo Governo do Estado contemplou a escola de Mossoró dentro de um investimento de quase R$ 6,7 milhões destinado ao conjunto das unidades. Na ocasião, o governo informou que os serviços deveriam começar nos dias seguintes. 

Outro caso que chamou atenção foi o da Escola Estadual 30 de Setembro, no bairro Abolição III. O prédio está fechado desde 2018, quando foi interditado para uma reforma que acabou permanecendo paralisada durante anos. Mais de 300 estudantes passaram a utilizar um espaço cedido no CAIC do Abolição IV, onde também funcionam outras unidades de ensino. Em julho deste ano, o Governo do Estado informou que pretendia retomar a obra ainda em 2026. 

Também em Mossoró, a Escola Estadual Professora Maria Stella Pinheiro Costa enfrentou uma situação mais grave recentemente. Em setembro, parte da estrutura localizada abaixo de uma caixa-d’água desabou durante o intervalo. Dois estudantes estavam no banheiro no momento do incidente, mas não houve feridos. As aulas presenciais foram suspensas e, posteriormente, a unidade passou a adotar atividades remotas enquanto a estrutura era avaliada. 

Na zona rural de Mossoró, problemas relacionados à qualidade da água atingiram as escolas estaduais Gilberto Rola, na comunidade Maísa, e Professora Iracema Fernandes, no Sítio Pau Branco. Análises solicitadas pelo Ministério Público apontaram alterações na água utilizada nas unidades. O MPRN recomendou a suspensão imediata do uso da água para consumo e a adoção de medidas para garantir água segura aos estudantes e profissionais. 

O cenário não se restringe a Mossoró. Em São José do Seridó, o Ministério Público ajuizou ação para obrigar o Governo do Estado a realizar uma reforma estrutural na Escola Estadual Professor Raimundo Silvino da Costa. O prédio havia sido interditado pelo Corpo de Bombeiros após a identificação de problemas considerados graves, incluindo riscos relacionados a pilares, vigas, lajes, infiltrações e instalações elétricas e hidráulicas. A unidade atendia 132 estudantes. 

Em São Miguel, no Alto Oeste potiguar, o MPRN também instaurou investigação relacionada à Escola Estadual Gilney de Souza. O procedimento apura relatos de superlotação na unidade e, paralelamente, a existência de um prédio público destinado ao IERN que estaria sem utilização. 

Os episódios colocam novamente em discussão as condições físicas da rede estadual de ensino e o impacto de obras e interdições sobre o calendário escolar. Em Mossoró, o Governo do Estado afirma manter um pacote de investimentos em infraestrutura das escolas da região. Somente nas unidades atendidas pela 12ª Direc, os investimentos anunciados incluem reformas, manutenção, acessibilidade e recuperação estrutural. Recentemente, por exemplo, a Escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira da Costa foi entregue após receber uma reforma de aproximadamente R$ 853 mil. 

No caso específico da Diran Ramos do Amaral, entretanto, a principal preocupação das famílias neste momento é saber quando os estudantes voltarão efetivamente às aulas. A cobrança é por transparência no cronograma da obra e por uma previsão oficial de retomada das atividades, diante do período prolongado sem aulas presenciais.