Um relatório elaborado pela administração da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte, aponta graves problemas de segurança provocados pela falta de policiais penais na unidade. Entre as situações descritas está a entrega das chaves das celas a presos que trabalham no presídio, conhecidos como “presos pagadores”.
O documento, referente ao mês de agosto de 2026, foi elaborado pela direção, vice-direção e chefias de Segurança e Disciplina da penitenciária. Segundo o relatório, a prática ocorre devido à quantidade insuficiente de servidores para atender às demandas da unidade.
A administração considera a situação especialmente preocupante porque transfere aos próprios internos uma atribuição que deveria ser exclusiva dos agentes públicos responsáveis pela custódia. Como medida prioritária, o relatório recomenda a recomposição do efetivo ou a redução das atividades realizadas na unidade de acordo com o número real de policiais penais disponíveis.
A falta de servidores também teria afetado diretamente a vigilância dos pavilhões. Em determinado plantão registrado em agosto, um dos setores começou as atividades com apenas um policial penal e posteriormente passou a contar com dois.
Outro problema apontado foi a interrupção do sistema de videomonitoramento após uma queda de energia. De acordo com o documento, câmeras instaladas na muralha e em áreas externas permaneceram, em diferentes momentos, sem funcionamento adequado, com problemas como sujeira, falta de foco ou indisponibilidade.
O relatório afirma ainda que a deficiência de pessoal contribuiu para a desativação recorrente de postos considerados importantes para a segurança e dificultou a realização de rondas no perímetro externo da penitenciária.
Risco de fugas
As condições descritas pela administração ocorrem em um período marcado por fugas e tentativas de evasão no Complexo Penal de Alcaçuz. Segundo o relatório, desde maio de 2026, 17 presos conseguiram escapar de unidades do complexo.
Além das fugas consumadas, foram identificados episódios que indicariam preparação para novas evasões. Entre as ocorrências registradas estão uma abertura no teto de uma cela, cordas artesanais e danos na estrutura física da unidade.
O documento também relata situações de tensão entre internos e policiais penais, incluindo um episódio envolvendo um preso que teria escondido uma lâmina retirada de um barbeador e se recusado a entregá-la aos agentes.
Presos que trabalham no complexo
Outro ponto destacado é a circulação diária de aproximadamente 90 internos que participam de atividades laborais nas oficinas de Alcaçuz. Os trabalhos incluem serviços como produção de esquadrias, costura, fabricação de tijolos para calçamento e reciclagem.
Segundo a administração, a dificuldade para garantir vigilância adequada durante essas atividades representa um risco adicional de fuga.
Em nota, a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap) afirmou que não comenta questões específicas relacionadas à segurança das unidades prisionais. A pasta declarou, entretanto, que Alcaçuz permanece sob controle, com segurança e disciplina.
A Seap também informou que a unidade foi incluída na Operação MUTE, coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais, durante a qual foi realizada uma revista estrutural. De acordo com a secretaria, não foram encontrados celulares ou outros equipamentos de comunicação dentro do presídio.