Foto: cedida pela atleta
Mossoró é um celeiro de talentos nas mais diversas modalidades. No handebol, essa qualidade é reconhecida pelas cores da Seleção Brasileira Master. A cidade já “entregou” o atleta Renato Neto para grandes competições e, agora, na seleção feminina, será a vez de Josy brilhar e representar o país na V Copa América de Handebol Master, que acontece de 3 a 7 de setembro, em Natal.
A reportagem do Portal Gazeta RN entrevistou a atleta e traz detalhes de sua trajetória até aqui.
“Comecei no handebol ainda na escola. Inicialmente, eu tinha um problema respiratório e os médicos diziam à minha mãe que eu não podia jogar. Foi então que, em um interclasse, conheci a modalidade por meio da minha primeira treinadora, Fatinha Queiroz. Como o handebol é um esporte que exige corrida e contato, eu não podia jogar na linha por causa da asma, então me aventurei no gol. Me destaquei e fui chamada para compor o time principal, para disputar JEMs e JERNs. Foi um momento que me marcou muito. Fiquei feliz ao chegar em casa e contar para minha mãe”, relembrou Josy.
Depois de se “aventurar” no gol, Josy teve o apoio da mãe para seguir no esporte e também no tratamento até os 14 anos de idade. Em seguida, chegou a hora de sair debaixo das traves e conhecer novas posições em quadra, com o professor João Eudes.
“Achava que nunca iria conseguir sair do gol, mas fui persistente e resiliente. Fiz o tratamento até os 14 anos e consegui parar o uso da bombinha. Já conseguia jogar sem precisar utilizar, um momento ímpar de superação. Depois, conheci meu outro treinador, João Eudes, que também foi essencial para o meu desenvolvimento como pessoa, atleta e profissional. Sou eternamente grata a ele. João formou vários atletas aqui na cidade e região, merece muito ser reconhecido e, sempre que possível, vou honrá-lo por tudo que ele foi e fez pela nossa modalidade.”
A formação como pessoa também passou pela essência do esporte. Por ser uma modalidade coletiva, o handebol aplica, na prática, a importância da disciplina, da integridade e da união. Não à toa, é um dos esportes mais praticados no ambiente escolar.
“O que me motivou foi a intensidade do jogo e o trabalho em equipe. Permaneci porque o handebol me formou como atleta, me ensinou sobre disciplina, liderança e superação. Como pessoa, me salvou. Eu morava na periferia, então tinha tudo para desviar do caminho, mas, graças à minha mãe, que sempre me educou muito bem, segui no esporte. Sou muito grata a todos que fizeram parte desse início e contribuíram para a minha evolução.”
A convocação para a Seleção Brasileira de Handebol Master é a coroação de anos de esforço e da vontade constante de superação.
“Receber essa convocação é uma sensação indescritível. Era um objetivo a ser alcançado e, quando aconteceu, a emoção foi grande. Até porque só faz dois anos que estou jogando no Master e, nesse período, atuei como cota, dois anos abaixo da idade. Este ano completo 30 anos. É a realização de um sonho e o reconhecimento de toda uma trajetória de dedicação, erros, acertos, liderança e muita vontade. Tenho muita gratidão a Deus, à minha família e a todos que caminharam comigo e torcem por mim.”
Josy destaca que a convocação de atletas mossoroenses para a seleção brasileira pode impulsionar mais apoio e o desenvolvimento de novos talentos na modalidade.
“Mostra que nossa cidade tem talento e potencial, apesar do pouco apoio que o handebol recebe. Além disso, fortalece o esporte local e motiva novos atletas. Fico feliz em representar nossa cidade ao lado do atleta Renato Neto e contribuir para dar mais visibilidade ao handebol da nossa região.”
E tem mais: além da convocação, a atleta mossoroense também foi convidada para disputar o BMC/SP, em São Bernardo do Campo, durante a primeira semana de junho.
“É mais uma oportunidade de representar nossa cidade. O evento reunirá equipes de todos os estados, inclusive ex-atletas da seleção brasileira — um verdadeiro espetáculo de handebol. Essa convocação reforça que é possível chegar longe por meio do esporte, apesar das dificuldades. Espero inspirar os jovens a acreditarem nos seus sonhos, com disciplina, dedicação e persistência. O esporte pode transformar e salvar vidas, assim como transformou e salvou a minha. Mas que nunca parem de estudar e busquem uma formação, pois isso é extremamente importante”, finalizou.