Mais de 141 mil trabalhadores com carteira assinada no Rio Grande do Norte devem ser beneficiados pelo fim da escala 6×1. O número corresponde a 141.415 vínculos formais que atualmente seguem o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), referentes a dezembro de 2025.
O levantamento aponta que 29,89% dos 473,7 mil vínculos formais registrados no estado estão enquadrados nessa jornada. Com esse percentual, o RN ocupa a quarta posição entre os estados do Nordeste, atrás de Alagoas, Bahia e Sergipe. A média regional é de 28,5%.
Em todo o Brasil, aproximadamente 14,7 milhões de trabalhadores com carteira assinada cumprem a escala 6×1, o equivalente a 33,2% dos 44,5 milhões de vínculos formais analisados.
Entre os setores que podem sentir os efeitos da mudança estão comércio, turismo, hotelaria, bares e restaurantes. Essas atividades têm participação importante na economia potiguar e precisarão reorganizar as jornadas para manter o funcionamento dos serviços.
De acordo com especialistas ouvidos pela Tribuna do Norte, a ampliação do período de descanso pode contribuir para a qualidade de vida dos trabalhadores, com possíveis reflexos na saúde, na segurança e na produtividade. Por outro lado, a adaptação das escalas exigirá planejamento por parte das empresas.
Os dados também evidenciam uma limitação: o levantamento considera apenas os vínculos formais. Trabalhadores informais, autônomos e pessoas sem registro não estão incluídos nas estatísticas.
A nova regra prevê dois dias de descanso semanal remunerado e a redução gradual da jornada máxima de trabalho, de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
A transição será realizada em etapas: inicialmente, o limite semanal passa de 44 para 42 horas. Após 12 meses, a jornada máxima será reduzida para 40 horas por semana.
A mudança também alcança trabalhadores que já atuam cinco dias por semana, mas cumprem jornadas de 44 horas. Nesses casos, será necessário adequar a carga horária aos novos limites, mesmo que a escala de trabalho permaneça a mesma.
A implementação exigirá ainda a revisão de acordos e convenções coletivas que não estejam de acordo com as novas regras.
Imagem: BBC