Seca atinge 86% do território do RN e preocupa autoridades para 2027

O Rio Grande do Norte registrou avanço da seca em setembro de 2026, atingindo 86% do território potiguar. O percentual representa um aumento em relação a agosto, quando o fenômeno afetava 79% do estado. Os dados são do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).

A situação se agravou principalmente na categoria de seca moderada, que passou de 25% para 61% do território entre agosto e setembro. De acordo com o levantamento, o RN apresentou o menor percentual de área afetada pela seca entre os estados do Nordeste, embora tenha registrado intensificação do fenômeno.

A preocupação com os próximos meses é ainda maior diante da previsão de chuvas abaixo da média, associada à possibilidade de ocorrência de um El Niño forte. O cenário pode comprometer a disponibilidade de água e ampliar os impactos sobre a agricultura e a pecuária potiguar ao longo de 2027.

Dados do Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (Igarn), atualizados até 26 de outubro, apontam que 16 dos 69 reservatórios monitorados no estado estão com menos de 10% da capacidade total.

Atualmente, as reservas hídricas superficiais do RN acumulam 45,78% da capacidade de armazenamento. Regiões como o Seridó, Alto Oeste e Agreste estão entre as áreas que demandam maior atenção diante do cenário de escassez hídrica.

Segundo a Defesa Civil estadual, o Rio Grande do Norte contabiliza 147 reconhecimentos federais de situação de emergência relacionados à seca e à estiagem.

O meteorologista Gilmar Bristot, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), aponta que a previsão climática para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica chuvas abaixo do normal.

A expectativa é de que os efeitos do El Niño possam persistir até o segundo trimestre de 2027, aumentando os riscos de dificuldades no abastecimento de água em municípios potiguares.

No setor agropecuário, a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) alerta para os efeitos acumulados da estiagem. Entre as atividades mais vulneráveis estão as culturas de sequeiro, como milho, feijão e sorgo, além da pecuária dependente de pastagens naturais.

Diante do cenário, especialistas e órgãos estaduais reforçam a necessidade de medidas emergenciais e ações estruturantes para garantir a segurança hídrica e minimizar os prejuízos provocados pela seca.