Pedro Emanuel justifica uso de time misto do Vasco contra Flamengo: “Faria de novo”

Pedro Emanuel justifica uso de time misto do Vasco contra Flamengo: "Faria de novo"

Torcida do Flamengo provoca o Vasco durante goleada no Brasileirão
Pedro Emanuel optou por escalar um time misto no Vasco contra o Flamengo nesta quinta-feira em jogo da 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com cinco mudanças na equipe titular, o clube foi derrotado por 4 a 1 no Estádio Nilton Santos.
Paulo Henrique, Saldivia, Robert Renan, Sosa, Andrés Gómez e Bruno Duarte começaram no banco e foram poupados, dando lugar para Puma, Gabriel, Lucas Freitas, Jair, Marino Hinestroza e Brenner.
— A equipe é formada por aqueles que eu sinto que estão mais preparados para serem competitivos. Temos que perceber como foi o jogo, independente de quem estava no campo. Fizemos algumas alterações porque a equipe precisava de alguma frescura, estamos com 60 jogos nas pernas e vamos fazer um ciclo que a equipe pode ganhar. Tenho confiança em todos. Digo a todos, minha função como treinador é fazer o melhor e colocar a equipe mais competitiva. Hoje fomos competitivos na maior parte do jogo. Não entramos bem, o Flamengo tem uma das melhores equipes jogando por dentro, sofremos o gol, empatamos em seguida. Temos uma oportunidade flagrante de fazer o 2 a 1 com o Marino… Até o segundo tempo entramos com coragem – analisou Pedro Emanuel.
O argumento usado pelo treinador para tamanhas mudanças no onze inicial é a sequência do calendário. No próximo domingo, o Vasco enfrenta o Palmeiras no Nubank Parque no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil.
— Se comparamos esse jogo com Flamengo x Atlético-MG, temos números bem mais equilibrados. Não é uma equipe alternativa. Em 72 horas temos um jogo contra o Palmeiras em outra competição e estamos com desgaste grande. É duro perder para um rival, quero sempre ganhar, mas esse jogo ficou marcado pela eficácia, tivemos oportunidades quando o jogo estava em 3 a 1 mas as nossas finalizações não foram acertadas. O resultado me parece desnivelado, se ficasse na diferença de um gol seria mais justo. A nossa luta continua, nada mais do que isso – explicou.
Pedro Emanuel em Vasco x Flamengo
Thiago Ribeiro/AGIF
A dupla de zaga formada por Gabriel Pereira e Lucas Freitas teve atuação ruim, falhando em dois dos quatro gols marcados por Flamengo. Pedro Emanuel saiu em defesa e afirmou que não se arrepende da escolha em poupar a equipe.
— Eles não jogam juntos, mas treinam todo dia juntos. Quando treinamos uns contra os outros eles jogam juntos. Por isso coloquei eles com o Jair porque se conhecem bem e a sintonia é clara. Para mim, a confiança se revela de uma forma: colocar para jogar. Lá dentro que podemos mostrar o que valemos. O jogo ficou marcado pela eficácia. Dividimos o jogo com um time que está lutando por objetivos distintos do nosso. Acredito que nos próximos anos podemos chegar nesse contexto. Gostaria que o jogo fosse em São Januário porque a energia seria mais positiva para nós. Estou solidário com o que custa perder o clássico. Foi uma pancada forte, não gostamos de perder de ninguém por um placar grande. É um toque de reunir para a gente. Se me perguntassem se faria de novo as mesmas escolhas, digo a todos que faria e colocaria o mesmo time para jogar – afirmou.
Mais declarações de Pedro Emanuel
Falta de São Januário
São Januário é a nossa casa. Jogar no Engenhão não é a mesma coisa. O nosso torcedor aqui e lá não tem nada a ver. A diferença é muito grande. O nosso cordão umbilical é cortado aqui. Nós viramos o jogo contra o Corinthians muito em função do clima de São Januário. Nós temos o fator casa, mas ficamos conduzidos a ter menos em alguns jogos. A ligação que tenho com minha torcida e minha equipe é muito maior em São Januário.
Gramado sintético
— Nós raramente treinamos em gramado sintético. Há diferença para o gramado natural, e isso o departamento médico por explicar. O que eu sinto é que os jogadores ficam mais baleados. Vamos ter mais jogos no sintético e com pouco tempo de recuperação. O impacto é muito grande. Reflito muito com a estrutura do futebol profissional. Queremos continuar sendo competitivos depois de 60 jogos.
Situação do Vasco no Brasileirão
— Essa luta do Brasileirão entre nós e mais oito times vai ser até o final. Equipes que estavam há três semanas bem mais acima, agora estão perto de nós. 45 pontos é o objetivo e enquanto não chegarmos o trabalho não está feito. Qual é a posição do adversário de hoje? É simplesmente o primeiro com o melhor ataque do torneio. Conseguimos igualar e criar, e acho que isso tem que ser valorizado. 72 horas é o mínimo que se deve ter entre dois jogos dessa intensidade. Vamos enfrentar os dois primeiros colocados, em competições diferentes, que hoje lutam para ser campeões do Brasileiro. Estamos a falar de uma dimensão diferente daquilo que precisamos para recuperar. É o mínimo que deveríamos ter. Essa gestão, depois de 60 jogos e em uma fase decisiva. Eu disse que não vamos priorizar nenhuma competição e não vou faltar com a minha verdade. Vamos ter um jogo de ida de semifinal contra um adversário valiosíssimo que é o Palmeiras como tivemos hoje. Eu tenho que tomar decisões e não agradar a todos. Não consigo no vestiário, como vou fazer aqui. Para isso que o Vasco me contratou, para tomar essas decisões e assumir quando não correm bem. Quando elas dão certo, eu não quero ser o melhor do mundo, mas quando não eu sei o tamanho que tenho para traçar. Essa é a minha filosofia. Para mim, diz muito a consistência do discurso e ações.

Objetivo na temporada
— Tenho jogadores preparados para jogar. No futuro, vão perguntar se queremos aspirar outras coisas. Nesse momento, não. Temos que lutar contra o rebaixamento, nós e mais oito times. A história dos clubes diz muito sobre valorização, mas pouco sobre o dia a dia. Há muitos históricos que estão nessa luta e por isso temos que saber o que queremos trilhar. Sei bem os objetivos e meu elenco também. Hoje, nos custou perder por essa margem, mas foram só três pontos. Amanhã é outro dia e vamos pensar em outra competição. Se trabalhamos tanto para chegar a esse momento disputando isso, é porque tem muitos times que lutam conosco e se preparam bem. Não podemos ter o melhor de dois mundos. Temos que correr riscos. Hoje fizemos quando estava 3 a 1, ser um pouco mais ofensivo mesmo enfrentando o melhor ataque do campeonato que a qualquer momento podia nos matar. Somos um time que acredita no que faz. Não correu bem, é uma realidade. Por isso estou aqui para assumir a responsabilidade. Principalmente com os nossos torcedores, que vieram a um estádio que não nos diz muito. Tentamos fazer o nosso melhor. Por isso digo que saímos daqui frustrados e tristes. A derrota foi pesada para o que aconteceu dentro de campo.
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