Parlamentares defendem acelerar votações no Congresso antes de 2027

Parlamentares da base governista defendem aproveitar os últimos dois meses de 2026 para avançar na aprovação de propostas de interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia considera a possibilidade de enfrentar maior resistência no Congresso Nacional a partir de 2027, com a chegada dos parlamentares eleitos para a próxima legislatura.

Entre as prioridades estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, a indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a aprovação de um Orçamento para 2027 que contemple os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. A articulação também envolve lideranças do Centrão, que pretendem avançar em propostas próprias.

A PEC da Segurança Pública está entre as matérias que o governo pretende destravar. A proposta amplia a participação da União nas políticas de segurança e está pronta para votação no plenário do Senado. A tramitação foi afetada por divergências envolvendo a tentativa de incluir no debate a redução da maioridade penal.

Lula já afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da emenda constitucional.

Outra prioridade é a escolha de um novo nome para ocupar a vaga aberta no STF após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A indicação é feita pelo presidente da República, mas depende de aprovação do Senado, após sabatina e votação. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, atualmente ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), aparece entre os nomes mencionados nas articulações políticas.

A construção do Orçamento do próximo ano é outro desafio para o governo. Parlamentares avaliam que será necessário discutir medidas de ajuste fiscal ou mudanças nas regras do arcabouço fiscal para viabilizar os compromissos assumidos durante a campanha.

A situação remete às negociações realizadas no fim de 2022, quando o Congresso aprovou a chamada PEC da Transição, que ampliou o limite de gastos em R$ 145 bilhões para financiar políticas públicas no início do terceiro mandato de Lula.

Além das prioridades do Executivo, partidos do Centrão querem aproveitar o período para discutir a redução da maioridade penal. Uma proposta em tramitação na Câmara prevê a mudança para 16 anos em casos de crimes hediondos.

Também estão em debate possíveis alterações no sistema eleitoral, incluindo o modelo distrital misto, o distritão e o retorno das coligações partidárias nas eleições proporcionais.

Outra pauta é uma eventual reforma do Judiciário. Entre as propostas discutidas estão a criação de mandatos para ministros do STF e mudanças nas regras para abertura de processos de impeachment contra integrantes da Corte. Ainda não há consenso sobre o conteúdo ou a viabilidade de votação dessas medidas em 2026.

As articulações também passam pelas eleições para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, previstas para fevereiro de 2027. Os atuais presidentes, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), respectivamente, estão no centro das negociações políticas para a próxima composição das Mesas Diretoras.

A avaliação de integrantes da base governista é que a atual composição do Congresso oferece uma oportunidade para avançar em propostas antes da posse dos novos parlamentares. No entanto, a aprovação das matérias dependerá das negociações entre os partidos e do apoio necessário em cada uma das Casas legislativas.