Pela primeira vez na história, os gastos anuais do governo federal com a Previdência Social ultrapassaram a marca de R$ 1 trilhão. Em 2025, a despesa total com o pagamento de benefícios chegou a R$ 1,026 trilhão, enquanto a arrecadação líquida somou R$ 709,7 bilhões, resultando em um déficit de R$ 317,1 bilhões.
Os números constam no relatório das contas do governo central, que reúne dados da Previdência Social, do Tesouro Nacional e do Banco Central, e será divulgado oficialmente nesta quinta-feira (29) pelo Ministério da Fazenda. O resultado evidencia o avanço do desequilíbrio estrutural do regime previdenciário dos trabalhadores do setor privado.
Na comparação com 2024, o crescimento das despesas foi expressivo. O gasto com benefícios aumentou R$ 87 bilhões em apenas um ano — passando de R$ 939 bilhões para mais de R$ 1 trilhão. Para 2026, a proposta orçamentária prevê uma despesa ainda maior, estimada em R$ 1,11 trilhão.
Especialistas avaliam que a escalada dos gastos previdenciários pressiona fortemente o Orçamento da União e dificulta o cumprimento da meta fiscal prevista para 2026, que estabelece um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). O impacto também compromete investimentos e recursos destinados a áreas consideradas prioritárias.
Para efeito de comparação, o déficit previdenciário registrado em 2025 supera, por exemplo, o orçamento previsto para o Ministério da Saúde, estimado em R$ 271,3 bilhões. Mesmo após a Reforma da Previdência aprovada em 2019, a tendência apontada por analistas é de agravamento do desequilíbrio, impulsionado principalmente pelo envelhecimento acelerado da população brasileira.
Os dados divulgados não incluem os regimes próprios de aposentadoria de servidores públicos nem de militares das Forças Armadas, o que indica que o impacto total das despesas previdenciárias sobre as contas públicas é ainda maior.