A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), começou a exonerar nomes indicados pelo vice-governador Walter Alves (MDB), em meio ao rompimento político entre os dois.
O primeiro a deixar o cargo foi o presidente da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), o engenheiro Sérgio Rodrigues, que estava à frente da companhia desde julho de 2025. Para o lugar dele, foi nomeado o engenheiro George Marcos, atual diretor de Planejamento e Finanças do órgão e considerado nome da cota pessoal da governadora.
A expectativa é que outras exonerações de indicados ligados ao MDB ocorram nas próximas semanas, aprofundando o distanciamento entre os dois grupos políticos.
Rompimento
A crise teve início após Walter Alves anunciar apoio à pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), ao Governo do Estado. O cenário se agravou quando o vice confirmou que pretende disputar uma vaga de deputado estadual nas eleições de 2026.
O impasse cria uma situação inédita no Estado. Fátima Bezerra já declarou que pretende renunciar ao cargo para disputar o Senado Federal. Caso isso se confirme, Walter assumiria o governo. No entanto, com a decisão dele de também deixar o posto para concorrer à Assembleia Legislativa, o Rio Grande do Norte poderá enfrentar vacância dupla no Executivo.
Nessa hipótese, a Constituição Estadual prevê a realização de uma eleição indireta para governador, conduzida pelos deputados estaduais.
Diante desse cenário, o PT passou a reavaliar sua estratégia política, já que o grupo governista não teria maioria garantida na Assembleia para eleger um governador-tampão.
Em encontro com a imprensa nesta quarta-feira, Fátima reafirmou que será candidata ao Senado e afirmou que nenhum grupo político — nem o seu, nem o de Allyson Bezerra, nem o do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (Republicanos) — tem maioria assegurada para vencer uma eventual eleição indireta.
O quadro amplia as incertezas no tabuleiro político potiguar e deve intensificar as articulações nos próximos meses.