CAOS NA SAÚDE DO RN: atrasos nos pagamentos ameaçam atendimentos em UTIs e ampliam pressão sobre o governo Fátima

A saúde pública do Rio Grande do Norte enfrenta uma série de problemas que acendem o alerta sobre a capacidade do Estado de garantir atendimento à população. A situação ganhou novos contornos nesta terça-feira (13), quando médicos das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) dos hospitais regionais Tarcísio Maia, em Mossoró, e Nelson Inácio dos Santos, em Assú, decidiram restringir os atendimentos diante de atrasos nos pagamentos. Os episódios levantam questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos, a regularidade dos repasses e os riscos para pacientes que dependem da rede estadual.

Médicos que atuam nas UTIs dos hospitais regionais de Mossoró e Assú iniciaram, às 18h desta terça-feira (13), uma restrição de atendimentos. A medida prevê a redução gradual da disponibilidade de leitos, que deixarão de receber novos pacientes à medida que forem desocupados, até a desativação total dos leitos envolvidos no movimento.

A decisão foi tomada após sucessivas cobranças por pagamentos pendentes. O cenário preocupa especialmente porque o Hospital Regional Tarcísio Maia é uma referência para o atendimento de urgência e emergência em Mossoró e em municípios da região Oeste.

De acordo com o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), os valores referentes aos serviços prestados em maio continuavam pendentes. Em setembro, os profissionais já haviam enfrentado atrasos nos pagamentos de março e abril, regularizados posteriormente após cobranças da categoria.

A falta de previsibilidade para receber pelos serviços prestados provocou uma nova mobilização. O sindicato cobrou providências da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), da empresa SAMA, responsável pela contratação dos profissionais, e dos hospitais envolvidos.

A consequência mais preocupante é o risco para quem necessita de cuidados intensivos. A redução progressiva dos leitos disponíveis pode dificultar a admissão de novos pacientes e aumentar a pressão sobre outras unidades da rede pública.

Em regiões onde os hospitais estaduais concentram o atendimento de urgência, qualquer diminuição da capacidade assistencial exige respostas rápidas do poder público. A situação reforça a necessidade de transparência sobre os pagamentos, os contratos e as medidas adotadas para preservar o funcionamento das UTIs.

O que diz o Governo do RN

Em manifestação divulgada nesta terça-feira (13), o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, afirmou que o governo está cumprindo o acordo firmado com a SAMA e o Ministério Público para quitar os débitos em quatro parcelas. Segundo ele, há um mês de atraso, referente aos serviços prestados em maio, e o pagamento previsto para outubro corresponde à segunda parcela do acordo, somada ao valor do mês trabalhado.

A Sesap também negou a existência de bloqueio judicial relacionado aos pagamentos da empresa e informou que os procedimentos administrativos necessários estão em andamento. O secretário garantiu que não há risco de os profissionais ficarem sem receber.

Apesar da posição oficial, a restrição dos atendimentos anunciada pelos médicos mostra que o impasse ainda exige uma solução efetiva. O desafio do governo estadual é assegurar a regularização dos pagamentos e preservar a capacidade de atendimento dos hospitais, evitando que divergências administrativas e financeiras continuem repercutindo diretamente na assistência à população potiguar