Brasil escapa de derrota e empate com Marrocos serve de alerta na estreia

Foto: Rodrigo Ferreira

O empate em 1 a 1 entre Brasil e Marrocos, na estreia da Copa do Mundo de 2026, deixou uma sensação difícil de ignorar: a Seleção Brasileira saiu de campo com um ponto, mas poderia ter saído sem nenhum. E, se isso tivesse acontecido, seria justo.

O placar final não traduz completamente o que foi a partida. Durante boa parte do confronto, o Marrocos foi mais organizado, mais intenso e mais perigoso. Os africanos dominaram as ações principalmente no primeiro tempo, controlaram o meio-campo e exploraram com inteligência os espaços deixados pela defesa brasileira. O gol de Saibari foi consequência natural de uma equipe que parecia saber exatamente o que fazer em campo.

O Brasil, por sua vez, encontrou enormes dificuldades para criar. Faltou aproximação, faltou dinâmica e, principalmente, faltou imposição. A equipe de Carlo Ancelotti parecia presa, sem conseguir transformar a qualidade individual dos seus jogadores em superioridade coletiva. Não por acaso, o primeiro chute certo da Seleção resultou justamente no gol de Vinícius Júnior, em uma jogada individual que salvou a atuação brasileira.

É verdade que o Marrocos não é mais uma surpresa no cenário mundial. Semifinalista em 2022, a seleção africana já provou que pertence à elite do futebol internacional. Mas isso não diminui a preocupação com o desempenho brasileiro. O adversário foi melhor durante vários momentos do jogo e criou oportunidades suficientes para vencer. Em alguns lances, faltou apenas mais precisão para que o resultado fosse outro.

O empate não compromete a classificação, mas acende um sinal de alerta importante. Copas do Mundo costumam punir equipes que demoram a encontrar seu melhor futebol. O Brasil ainda tem qualidade de sobra para crescer na competição, porém precisará evoluir rapidamente. A dependência de lampejos individuais não costuma ser um caminho seguro para quem sonha com o hexacampeonato.

No fim das contas, o resultado acabou sendo melhor para o Brasil do que para o futebol apresentado. A Seleção escapou de uma derrota que, pelo que foi o jogo, não seria injusta. E talvez essa seja a principal reflexão deixada pela estreia: mais importante do que comemorar o empate é entender por que ele aconteceu.