Os dez brasileiros que aparecem entre as 500 pessoas mais ricas do mundo perderam, juntos, cerca de US$ 14 bilhões (aproximadamente R$ 75,6 bilhões) em apenas um dia, após a forte queda da Bolsa de Valores brasileira na segunda-feira (26). Os dados são do Índice de Bilionários da Bloomberg.
A desvalorização ocorreu em meio à turbulência do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, encerrou o pregão com queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, registrando um dos piores resultados diários dos últimos anos.
Segundo o levantamento, a perda conjunta dos bilionários foi a maior registrada em um único dia desde a criação do índice, em 2012. Os prejuízos atingiram principalmente empresários ligados ao setor bancário, afetados pela desvalorização das ações de grandes instituições financeiras.
Entre os empresários que tiveram perdas expressivas está André Esteves, fundador do BTG Pactual. Ele perdeu aproximadamente US$ 3,7 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 20 bilhões, segundo dados divulgados pela Bloomberg.
David Vélez, fundador e controlador da Nu Holdings, empresa responsável pelo Nubank, também registrou uma redução significativa de seu patrimônio, com perdas estimadas em US$ 2,3 bilhões.
Já os irmãos Pedro e Fernando Moreira Salles, acionistas do Itaú Unibanco, tiveram perdas combinadas de aproximadamente US$ 3 bilhões.
A queda das ações bancárias contribuiu para a redução das fortunas desses empresários, cujos patrimônios estão diretamente relacionados ao desempenho das empresas nas quais possuem participação.
A turbulência atingiu diferentes setores da economia. Durante o pregão de segunda-feira, o Ibovespa chegou a cair mais de 17%, levando à ativação do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos de desvalorização.
Ao final do dia, o índice acumulou baixa de 13,88%. Entre as empresas mais afetadas estavam companhias dos setores de varejo, consumo, saúde e mercado financeiro.
O dólar comercial também registrou forte valorização, encerrando o dia cotado a R$ 5,403, com alta de 8,21%. Foi a maior elevação percentual diária da moeda norte-americana desde janeiro de 1999.
A reação dos investidores está relacionada às expectativas sobre a condução da política econômica, especialmente em relação às contas públicas, ao controle da dívida e às perspectivas para os juros no país.
O mercado financeiro acompanha agora os próximos passos do governo e as sinalizações sobre a política fiscal, fatores que poderão influenciar o comportamento da Bolsa, do dólar e dos investimentos no Brasil.