Allyson Bezerra afirma ser alvo do “sistema” e diz que seguirá enfrentando grupos de poder.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), afirmou nesta quinta-feira (29) que está sendo alvo de uma reação do que classificou como “sistema”, em referência a grupos políticos tradicionais que, segundo ele, nunca aceitaram sua ascensão política, sua origem social e a projeção que conquistou no Rio Grande do Norte. A declaração foi feita após o gestor ter sido alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Mederi, deflagrada na última terça-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga supostos desvios de recursos na área da saúde.

Em entrevista ao Jornal do Dia, da TV Ponta Negra, Allyson associou a investigação ao momento político que vive e destacou sua posição nas pesquisas eleitorais para o Governo do Estado. Segundo o prefeito, o avanço de sua popularidade teria intensificado resistências. “O sistema nunca aceitou que eu, vindo de uma família simples e humilde, chegasse a ser prefeito de Mossoró e retirasse do poder um grupo que dominava a cidade há mais de 70 anos”, afirmou.

O prefeito ressaltou ainda que sua gestão alcançou reconhecimento popular expressivo. “Nunca aceitaram uma gestão aprovada pela população, a ponto de eu ter sido o prefeito mais votado da história de Mossoró”, declarou. Allyson também afirmou que sua postura independente, sem submissão a ideologias ou grupos políticos específicos, teria contribuído para os conflitos. “Nunca me submeti a ser controlado por partidos ou pessoas que se acham donas do poder”, completou.

Ao comentar a Operação Mederi, Allyson afirmou que nada foi encontrado que comprometesse sua conduta pessoal ou administrativa. Ele disse ter colaborado integralmente com as autoridades, entregando documentos e equipamentos solicitados. “Quem não deve, não teme. Nada foi encontrado que desabone minha vida, minha história ou minha conduta”, afirmou, acrescentando que a documentação foi repassada antes mesmo do prazo estabelecido.

Em tom firme, o prefeito classificou a investigação como uma tentativa de intimidação política, mas garantiu que seguirá atuando com convicção. “Estou ainda mais fortalecido e decidido a enfrentar aqueles que se acham donos do poder. Não vão me ver acuado, calado ou com medo”, disse.

Críticas à cobertura da imprensa

Durante a entrevista, Allyson também criticou a cobertura da imprensa nacional sobre o caso. Segundo ele, houve distorção dos fatos e exposição desproporcional de sua imagem. “Não disseram que a operação ocorreu em cinco municípios, nem que na minha casa nada foi encontrado, além do celular e do computador que entreguei espontaneamente”, afirmou.

O prefeito alegou ainda que informações relevantes teriam sido omitidas, como a inexistência de áudios ou diálogos pessoais dele no inquérito. “Mostraram apenas o meu rosto, numa tentativa clara de desgastar minha credibilidade”, declarou.

Apesar das críticas, Allyson disse acreditar que novas tentativas de desgaste ainda podem ocorrer, mas afirmou estar tranquilo. “Nada vai tirar minha paz, minha fé ou minha confiança”, pontuou.

Negativa de envolvimento em corrupção

Allyson Bezerra também negou qualquer envolvimento em práticas ilícitas ou pedidos de vantagem indevida. “Nunca pedi, nem autorizei ninguém a pedir qualquer tipo de benefício em meu nome”, afirmou. Ele reiterou que não autorizou contatos relacionados a propina ou vantagens em contratos públicos.

Sobre eventuais diálogos citados na investigação, o prefeito afirmou que se tratam de conversas de terceiros, que deverão prestar esclarecimentos à Justiça. “Não há qualquer conversa pessoal minha envolvida no processo”, concluiu.