Nesta quarta-feira, 19 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Ciclista, data instituída pela Lei nº 13.508, de 2017. A escolha do dia é uma homenagem a Pedro Davison, ciclista de 25 anos morto após ser atropelado em Brasília, em 2006. A data também reforça a importância da bicicleta como esporte, meio de transporte e instrumento de transformação social.
No Rio Grande do Norte, a celebração ganha um significado especial. O estado possui uma história construída sobre duas rodas, com atletas de destaque nacional e internacional, competições tradicionais e uma nova geração que vem encontrando no ciclismo uma oportunidade de desenvolvimento esportivo e social.
E quando se fala em tradição, Mossoró ocupa um lugar de destaque. É na cidade que acontece a Prova Ciclística Governador Dix-Sept Rosado, que em 2026 chega à sua 77ª edição. A competição é realizada de forma ininterrupta há décadas e é reconhecida oficialmente como uma das provas mais antigas do país sem interrupções. Em 2025, a disputa chegou à 76ª edição, reunindo categorias de base, elite, máster, MTB, atletas com deficiência e competidores de diferentes estados.
A longevidade da Dix-Sept Rosado coloca Mossoró em uma posição singular no mapa do ciclismo brasileiro — e reforça uma tradição que atravessa gerações. A prova, que começou em um percurso intermunicipal entre Governador Dix-Sept Rosado e Mossoró, hoje ocupa as ruas do município e integra o calendário esportivo local. Desde 2023, também passou a contar com a participação de atletas com deficiência, ampliando o caráter de inclusão da competição.
Alice Melo: Mossoró no cenário nacional
Entre os nomes que melhor representam a força do ciclismo potiguar está a mossoroense Alice Melo. Natural da cidade, ela começou a pedalar aos 12 anos e construiu uma carreira de destaque no ciclismo de pista.
São 19 títulos brasileiros, além de medalhas em competições Pan-Americanas e Sul-Americanas e mais de 20 convocações para a Seleção Brasileira, segundo o Instituto Alice Melo.
Alice também levou o nome de Mossoró para algumas das principais competições do calendário internacional. Em 2022, por exemplo, conquistou a medalha de bronze na prova Madison do Campeonato Pan-Americano de Ciclismo de Pista, ao lado de Wellyda Rodrigues. O resultado rendeu pontos importantes para o ranking mundial da modalidade.
E a relação da atleta com sua cidade natal ganhou um capítulo especial em 2024. Depois de 14 anos sem competir em Mossoró, Alice voltou para disputar a 75ª Prova Governador Dix-Sept Rosado e venceu a categoria Elite Feminino. Em 2025, repetiu o feito e tornou-se bicampeã da Elite Feminino da tradicional prova mossoroense.
Mas a contribuição de Alice para o ciclismo potiguar vai além dos pódios. Em 2023, ela criou o Instituto Alice Melo, em Mossoró, com o objetivo de levar o ciclismo escolar a crianças e adolescentes. O projeto oferece aulas gratuitas e utiliza o esporte como ferramenta de desenvolvimento físico, cognitivo e social.
O instituto já realizou festivais que reuniram cerca de 100 crianças e adolescentes, ajudando a criar uma nova geração de praticantes e potenciais atletas.
Dirceu Almeida e a força do paraciclismo
Outro nome que merece destaque é o de Dirceu Almeida, mossoroense que vem levando o Rio Grande do Norte para o cenário internacional do paraciclismo.
Em março deste ano, Dirceu conquistou duas medalhas no Campeonato Pan-Americano de Paraciclismo, realizado em Indaiatuba, São Paulo. O atleta foi vice-campeão na prova de Contra-Relógio Individual e garantiu a medalha de bronze na prova de Resistência, ambas no ciclismo de estrada.
Nas provas de pista, também teve participação de destaque, terminando em quarto lugar na velocidade por equipes, sexto na velocidade individual e 11º no Scratch.
A campanha garantiu ao atleta novos desafios internacionais: Dirceu foi selecionado para disputar etapas da Copa do Mundo de Ciclismo de Estrada na Bélgica e na Itália, ampliando a presença potiguar no mais alto nível da modalidade.
RESULTADOS IMPORTANTES NA COPA NORTE E NORDESTE
O ciclismo potiguar tem representantes em diferentes frentes e vem acumulando resultados importantes dentro e fora do estado. Um dos exemplos mais recentes veio justamente na Copa Norte Nordeste de Ciclismo 2026, realizada em Fortaleza, no Ceará.
Os atletas do Rio Grande do Norte tiveram uma participação expressiva e conquistaram 14 medalhas, entre ouro, prata e bronze.
Um dos grandes destaques foi Lucas Alves, campeão na categoria Infanto Juvenil Masculino, com três medalhas de ouro. Também subiram ao pódio Jesiel Fernando, bronze na Master A2; Reginaldo Viturino, bronze na Master C2; Erivan Lucas, bronze na categoria C2; Francisco Raylan, bronze na Infantil Masculino; e Elza Almeida, bronze na Elite Feminina.
Na categoria Master D2, Fernando Benevides conquistou três medalhas — duas de prata e uma de bronze. Já Braziliano Jerônimo também teve uma campanha de destaque, com três medalhas de prata na Master C1.
O resultado mostra que o ciclismo do estado não depende de apenas um nome. Há atletas potiguares alcançando pódios em diferentes categorias e construindo uma base capaz de manter o RN competitivo nas disputas regionais e nacionais.