A vitória por 3 a 0 sobre a Escócia vai além dos três pontos. Pela primeira vez nesta Copa do Mundo, a Seleção Brasileira transmitiu a sensação de que encontrou uma identidade de jogo. Mais do que vencer, convenceu. Foi dominante do início ao fim, controlou a partida sem sofrer defensivamente e mostrou um equilíbrio que ainda não havia aparecido nas rodadas anteriores.
O principal nome deste Brasil, até aqui, atende por Vinicius Júnior. O camisa 7 assumiu definitivamente o protagonismo da equipe. Não apenas pelos gols e participações diretas nas jogadas ofensivas, mas pela personalidade. É o jogador que acelera o ataque, desequilibra no um contra um e chama a responsabilidade quando o time precisa. Se havia alguma dúvida sobre quem seria a referência técnica da Seleção nesta Copa, ela parece ter ficado para trás.
Outro aspecto que merece destaque é o crescimento das laterais. Danilo e Douglas Santos vivem, talvez, seus melhores momentos na competição. Os dois oferecem segurança defensiva, participam da construção das jogadas e diminuíram um problema que acompanhava o Brasil nos últimos anos: a vulnerabilidade pelos lados do campo. Quando os laterais funcionam, toda a equipe ganha equilíbrio.
A consequência aparece no sistema defensivo. O goleiro Alisson, frequentemente obrigado a salvar a equipe em outros momentos, teve uma atuação tranquila. Não por acaso. A defesa brasileira protegeu melhor a entrada da área, reduziu os espaços e praticamente não permitiu oportunidades claras para a Escócia. Uma defesa sólida sempre começa muito antes da última linha.
No ataque, Matheus Cunha talvez seja o jogador que melhor representa a evolução coletiva do time. Sua importância vai além dos números. É um atacante que pressiona a saída adversária, abre espaços, dialoga com os meias e ainda entrega qualidade técnica nas conclusões e assistências. Seu desempenho tático tem sido tão valioso quanto sua capacidade de decidir jogadas.
Ainda é cedo para decretar favoritismos, afinal a Copa do Mundo costuma reservar surpresas a cada fase. Mas o Brasil passa a impressão de ter encontrado uma formação capaz de potencializar suas principais peças. O encaixe coletivo começa a aparecer justamente no momento em que o torneio entra em sua fase mais decisiva.
Se mantiver esse nível de atuação, com Vinicius Júnior em grande fase, laterais consistentes, uma defesa segura e um ataque cada vez mais conectado, a Seleção deixa de ser apenas uma candidata ao título e passa a inspirar confiança de que pode, enfim, caminhar com força rumo ao tão sonhado hexacampeonato.